"Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo existir
e vou voar pelo caminho mais bonito"
(Trecho de "Clarisse", música de Renato Russo)
Às vezes me sinto desse jeito. Liberdade?! Ainda não consegui entender o que esta palavra significa. Sartre, um dos grandes filósofos do existencialismo, nos diz que "fomos condenados à liberdade". Talvez ele esteja certo. Liberdade é algo de que não se pode abdicar. Mesmo numa gaiola, um pássaro ainda pode voar. Suas opções de escolha são limitadas, mas ainda existem. Essa é a maior dádiva que Deus nos entregou. Por mais que um ser humano seja aprisionado, seu arbítrio jamais será aniquilado. E é assim que me sinto, como se estivesse voando dentro de uma gaiola. Tão livre! Tão preso! E meu canto já não é mais o mesmo. É um canto nostálgico. Um canto desiludido. Um canto que tenta ganhar a imensidão dos campos e vales, mas que mal ultrapassa essa pequena gaiola. Ah!!! Minha pequena gaiola!! Em pensar que um dia agradeci por estar numa gaiola, protegido, alimentado, cuidado. Hoje não quero mais. Que se danem as gaiolas!!! Quero viver pelo céu, voar entre as nuvens, guiar minha jornada pela bússola estelar, sentir o vento tocar meu rosto e impulsionar minhas asas rumo ao infinito. Quero viver!!! Chega de gaiolas!!! Que se danem as regras. Minha única regra, a consciência, e nada mais!!! Meu único guia o coração!! E assim pretendo seguir em frente, sem pensar no passado. O risco é enorme. Longe da gaiola estarei sujeito a tempestades, caçadores, escassez de alimento. Talvez também me sinta só e inseguro quanto ao futuro. Ainda assim quero sair da gaiola, e tentar encontrar um caminho mais bonito, que me ajude a sentir a vida. Voarei para bem longe, para os lugares mais solitários, e quem sabe ali eu encontre o que tanto procuro: eu mesmo!
(criação própria)
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